Hoje apetece-me escrever um poema com alma de gente.
Poema que grita com o fogo do amor
que se perde ao sabor da dança de um orgasmo
que electrifica a fome dos músculos em guerra
que acarinha a morte no gozo da carne
poema que sangra com a história sofrida
que é pão dos famintos obesos
que é lágrima no deserto da vida
poema que ao sopro alimenta e acalma
que dá rosto ao peso da fama
que perpetua a luz da vida
que é a alma vestida de lama
As coisas que nos assustam.
Eu sou aquela mulher que se deixou violar pelo filho.
DESONRADA POR UM DIAMANTE
Escondam a minha vergonha no deserto do Saara
deixem que as dunas a vistam com os os seus panos cor de mel
oferta generosa da mãe natureza
pois o mel do meu morango escondido
secou-se no gozo do prazer libidinoso do meu diamante
Que venha a morte punir minha desonra
pois a vida esqueceu-se de mim
dando vida a vida que já era vida
que de tanta vida perdeu-se na tesoura da minha vergonha
Ai!
vistam-me de esterco porque estou suja
porém lavem a minha desonra com o sangue do meu umbigo
Estou angustiada, aquele bebé poderia ter sido a minha linda princesinha
PEDÓFILO
Oh!
Maldita fome da tu'alma pecaminosa
que encheu de luto o vazio do meu existir
quebraste os alicerces do meu bebé
rasgando-lhe os panos da alma embrionária
corta também o desespero da minha dor
com a lâmina do sangue que ainda jorra da cratera que fizeste
devia deixa-la no aconchego da minha placenta p'ra protegê-la do riso do teu prazer demoníaco
que venham os ventos libidinoso
apressar o silêncio do teu existir
e nesse dia glorioso vestirei o luto dos prazeres
decorado com as lágrimas do meu remorso
condeno-te a fome por mutilação.

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