O que disseram alguns escritores:
SINAY, assim se chama o livro. SINAY é o nome de um dos personagens, mas a história conta a saga de Cristina e sua família. O mote da história, sobre o qual a autora cria o enredo, é um fenómeno que há alguns anos era corrente em Luanda. Estrangeiros que prometiam enriquecimento fácil através da reprodução, por meios químicos, de notas de dólares americanos. É uma história de ambição desmedida, polvilhada com as nossas práticas sociais, como o feitiço, e outros rituais.
SINAY põe a nu o paradoxo de viver o cristianismo e algumas das nossas práticas sociais. Há mesmo reminiscências bíblicas directas e indirectas no livro, a começar pelo título que remete para o local onde Moisés recebeu os 10 mandamentos. Deste ponto de vista, o livro é, se quisermos, um registo sociológico.
O estilo da escrita em SINAY é antes de mais uma combinação de estilos adquiridos, sobretudo, pela diversidade social de linguagens que organizam artisticamente o texto. A diversidade de línguagens entra na história através das falas. É evidente no livro a preocupação da autora em apontar a historicidade dos fenómenos da linguagem apreendidos pelo viés da cultura popular. A língua no texto não só representa, mas ela própria é objecto de representação.
A narrativa, ao debruçar-se sobre o presente, descobre um tempo que não é o seu. Este diálogo transtemporal estimula o prazer da leitura.
Creio que estamos diante de um texto de cunho existencialista que nos recorda que a realidade, a vida quotidiana inevitável é tão misteriosa quanto o próprio acto de criar. Por isso SINAY seguirá o seu caminho.
Seria inútil sugerir linhas de leitura para esta obra, aliás estaria a imiscuir-me num espaço que, neste acto, não me pertence – o do crítico. Tenho a certeza, o livro encontrará o seu caminho.
Vamos, pois, em conjunto desejar parabéns à Ngonguita Diogo.
Cristóvão Neto - Escritor
ENTRE A MANIPULAÇÃO E A LÓGICA,
A LUTA ETERNA ENTRE O BEM E O MAL
Vamos iniciar debitando algumas ideias à volta da temática do livro, mas antes, vale desde já recordar que em literatura as obras afirmam-se, ultrapassam o tempo em que foram pensadas e escritas, ou não, em função da importância que certa abordagem temática representa para a sociedade em geral e, sobretudo, pela sua pertinência num dado aglomerado populacional.
Assim, temas como o amor, a morte, o ódio, a vingança, a infidelidade e outras traições só para citar alguns, foram alvos de esmerada atenção desde que surgiu a literatura oral e foi-se disseminando no decurso da História da literatura Universal;
com os correspondentes períodos, correntes, estilos ou escolas, etc.
No caso que nos assiste, Ngonguita Diogo traz a lume, um tema bastante especulado no Universo africano: A manipulação que é feita a pessoas inocentes, através de práticas religiosas não autorizadas ou reservadas por indivíduos de baixa formação ética e moral.
Cada um à sua maneira, a temática em apreço (repito) já foi tratada literalmente no nosso espaço pátrio por António de Assis Júnior (O segredo da Morta), Óscar Ribas (Uanga) e mais recentemente Rosária da Silva (Totonya) entre outros.
Então, onde está o mérito do livro SINAY?
Ngonguita Diogo através de uma brilhante combinação entre a linguagem cuidada e a popular consegue de forma clara e frontal levar-nos aos labirintos maquiavélicos de Sinay, um médium ou faz-se passar como tal, ou seja, um ser humano com capacidade para comunicar-se com Forças Ocultas ou Forças do Além, se quisermos, personificado neste caso, como Santo.
A renovação temática está a partir de um exercício continuo de escrita, onde se decantam as expressões populares peculiares dos bairros marginais. Vamos encontrar um cenário geográfico original e pouco tratado na literatura angolana moderna, um bairro periférico que até é referência em África, ou seja, o Palanca.
2. Personagens: De um lado temos quatro personagens, pessoas de bem em busca de melhores condições de vida, encabeçadas por Cristina (personagem principal), Carlos (filho desta). Ana, (tia) e Chico (irmão). Do outro, em clara oposição, temos o Sinay a manipular, o Santo, um suposto espírito do além, o indivíduo que conduzia o carro verde-escuro e ainda o pastor da igreja Massola, também colaborador do impostor.
A trama passa pela cobiça ou desejo de enriquecimento fácil de alguns personagens já antes descritos, a partir da transformação de cédulas deixadas num contentor por Jonas Savimbe, no dizer do Pedro, um dos intervenientes no assunto, tio de Ana. Essa transformação era feita por líquidos caros que só se encontrariam em Luanda, naquilo que vulgarmente ficou apelidado de “lavagem”.
De manipulação em manipulação, Cristina foi sendo vitima, primeiro dos chamados “técnicos” que supostamente transformariam as cédulas em milhões de dólares americanos.
A vigarice ganhou outros contornos, atingindo o auge com a entrada em cena do Sinay, personagem macabro, homem sem escrúpulos, ao ponto de inventar a “lavagem espiritual das cédulas” conceito que só poderia ter sido parido por uma mente perversa. Aliada a essa vil maldade, Sinay pretendia a médio/longo prazo, vender a alma do Carlos na mayombola, porque era inteligente e jovem, fortificando assim o seu poder pessoal.
Porém, conforme afirma a sabedoria milenar dos povos originais, “Deus aperta mas não afoga” e Cristina depois conhece um líder espiritual que aparentemente trabalha para o bem, Papá Ndombele, que através de (óleos, essências, ervas, unguentos, velas e banhos espirituais) diz restaurar as capacidades físicas e emocionais dos necessitados.
Quanto ao seu futuro, Cristina entendeu comunicar-se pessoalmente com a Entidade que, segundo ela, continuava a ser o Ente Superior do Universo, seu único mentor.
CONCLUSÃO:
Ngonguita Diogo, com uma combinação magistral da língua padrão e o português popular de Angola, descreve em Sinay um mundo secular, paralelo mas autentico que acompanha a humanidade desde os primórdios.
As imagens atrevidamente reelaboradas dos locais emblemáticos de Luanda, como o ex-mercado Roque Santeiro, o cemitério do Camama, a estrada de Catete, a própria Baixa de Luanda, terminando no Palanca, atiçam a nossa memória individual e colectiva, fazendo-nos recordar que o conhecimento e aprofundamento da nossa cultura, passa necessariamente pelo estudo sistematizado, pesquisa e investimento.
Com este romance a autora junta-se a plêiade de novos narradores que com segurança enriquecerão o nosso imaginário neste promissor século XXI, quando se falar da literatura angolana do século XXI, teremos que contar obrigatoriamente com o nome sedutor na forma e no conteúdo: Ngonguita Diogo.
António Gonçalves - Escritor
UMA OBRA SINGULAR
“DE FACTO singular! e se me permitissem a ousadia plácida da realização do sonho para este instante, onde almejamos edificações, SINAY nos transforma em testemunha do surgimento de uma basilar pedra para a leitura do novo posicionamento do romance angolano”
Trajanno Nankova TRAJANNO – Escritor
UMA FICÇÃO SOBRE A REALIDADE
“ QUALQUER UM que tivesse tido o privilégio, que alguns de nós teve, de estar em contacto, pela primeira vez com este romance, seria levado a travar a sua respiração ao ponto de só retomá-la ao terminar a leitura de uma história tão perto de uma realidade que está representada no Nosso modus vivendi.
Vicente FÉLIX
UM LIVRO SOBRE NÓS
“A NARRAÇÃO carregada de fortes emoções descreve abertamente a criatividade da jovem escritora. SINAY é um texto envolvente, onde Ngonguita Diogo propositadamente, para chamar e despertar a atenção da nossa sociedade, evidência a realidade dos dias de hoje.
A linguagem clara e corrente, são sem sobra de dúvidas itens que dão valor à obra, decorada de conselhos e educação.
Ngonguita deixa espalhada características da alma feminina, e fica evidente que a escritora se encarna na alma e pele Luandense. É impressionante a forma como descreve as inúmeras situações do texto.
Outro aspecto relevante, é o branqueamento de capital, que Ngonguita traz à ficção transplantada da vida real, das corridas ao dinheiro fácil escrita ao pormenor.
Com este livro Ngonguita despe a sociedade… e pede reflexões.”
Penelas SANTANA - Escritor
A CONSAGRAÇÃO DA NGONGUITA
“ESTA, É inelutavelmente a obra que consagra Ngonguita Diogo na galeria dos autores contemporâneos mais influentes da literatura nacional.
Dona de uma narrativa comprometida e ousada e comprometida, Ngonguita Diogo desenha no seu romance um sorriso de esperança e aponta a direcção por onde deve passar a justiça social.
Nesta obra, Ngonguita reclama assegurando que a razão tem um litoral, depois do qual só a fé pode navegar.
Esta é pois a obra que faltava na nossa literatura e na sua cabeceira. Este é o retrato da Angola do pós-guerra, da Angola de hoje.”
Walther PINTO LEITE - Escritor

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